domingo, 8 de setembro de 2013

Contraste

Somos a refração do que fomos
Somos o contraste da injeção
Somos o pó da borracha
Aquilo que ninguém procura e acha
Somos o zumbido do ouvido
Somos a tarracha sem brinco
Somos a interferência da caixa de som          
Somos o talento sem o dom
Somos o resquício de luz
Daquela sombra que reproduz          
O que aparenta estar além
Daquilo que não vai nem vem
De tudo aquilo que seria
Mas não foi
Nem iria

sábado, 7 de setembro de 2013

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Pontilhado



Desfigurando-se em uma forma concreta, abstraiu o abstrato que o definia. Procurou traços para delimitá-lo, porém a margem é estreita. Teve que se desfazer da falta de moldes, da falta de traços, para poder dizer-se completo. Enquadrar-se é aprisionamento, o cabível está fora de cogitação. Guardou seus excessos em sua nova panela de pressão e explodiu, não cabia tanta vida nela, e nem tanta pressão nele. Finalmente o riso subiu nas margens e transbordou. Beirou o mar e a loucura. Encontrou-se, com seu riso vazado e seu olhar perdido, fluindo contra a correnteza. E por decreto declarou-se incompleto, tendo como certo somente a incerteza de ser.