Quem nunca sofreu de amor à primeira página não sabe qual é o karma de um leitor de verdade. De um amante das mentiras realistas e das verdades enfeitadas. Pode conferir, as três primeiras frases de um livro são sua alma, sua essência. O que o autor tinha que dizer ele já expôs no primeiro parágrafo. O resto não passa de uma sucessão de capítulos inexatos para explicar o que nem mesmo o escritor queria saber de fato. Acredite, não há enredo, nem clímax, muito menos um final feliz que substitua uma introdução bem redigida. É o momento no qual a tinta ainda se encontra fresca, a mente ainda está em chamas, as palavras ainda estão nuas. Não se faz segredo nem rodeio. A alma do escritor ficou ali, e até o final da trama ele vai resgatando-a aos poucos, para que possa morrer novamente num futuro prólogo. Esse processo de mortes simultâneas é que fazem um verdadeiro escritor, e creio que ao lermos e vibrarmos com suas últimas palavras, nos tornamos verdadeiros leitores. Pois é, nada como um belo suicídio literário.
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