sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Poemizando Trocadilhos

As nuvens brincam de desalinhar o céu
Como o sorriso desalinha os lábios
E o vento me desalinha ao léu
Já a palavra não desalinha o outro:
Descostura-o
Diz a linha

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Divagações sobre a Belle Époque no Século XXI e o Espetáculo Pariscircense


Sentou ali e ficou. Com os cotovelos apoiados nas pernas olhando fixo para o chão, refletiu, enquanto seguia o rastro do cimento entre os azulejos mal colocados, o quão fodido estava. Não como uma crise existencial, mas como uma crise existencialista, pois, afinal, todos estavam fodidos, ele só faz parte da cadeia devoradora de vidas. Não, não queria o cardápio. Não, não utilizou o estacionamento. Não, não ficaria à vontade. Levantando um pouco os olhos, com a cabeça não completamente levantada, olhou o que o rodeava, e viu que ele não estava em volta de nada daquilo, mas ainda assim toda aquela bizarrice paris-circense o engolia e o enterrava em um montinho de terra puída. Interessante, não haveria como se camuflar naquele espetáculo neofantástico, alegoricamente desperto, mas inerte, devastador e cadavérico em sua órbita. Enquanto permanecia soterrado naquilo, soube que não era tão prudente assim respirar. Acima dele, os saltos femininos perfuravam o som e a inércia, além dos ruídos e das baforadas de cigarros mais bem preparados que a comida do lugar. Talvez tomasse uma vodka. Não porque gostasse, mas somente para quebrar aquele ciclo de café e filosofia que o circundava, chafurdando-o e remetendo-o aos locais que Sartre expunha em suas obras, tão ignominiosos como poderiam ser. Pensou em levantar-se, mas não era tão simples. Não é um ato único: levantar exige alguma ação secundária e até terciária premeditadas. Torna-se, ao pensar melhor, uma cadeia incessante de acontecimentos, como um dominó derrubado ao léu. Então, levantar proporcionaria uma ação além do acontecimento, desequilibrando o hemisfério e talvez se dessem conta de sua ausência, ali tão límpida e escondida. Sim, aceita um cigarro. Fósforo também viria a calhar. Essa centrífuga humana não perdoa, pois não existe perdão quando o crime é cumprir a própria sentença. Gostava mais do fósforo que do tabaco - o qual parecia mais comestível que o croissant da mesa em frente -, pois o cheiro do enxofre queimando era momentaneamente atemporal, como o efeito de qualquer outro vício. Queimava um a um lentamente, logo mais a caixa inteira, fazendo uma pilha com as farpas de madeira queimadas, soterrando os restos nos restos, coexistindo sob a fuligem, respirando com a falta de ar. Então levantou e pediu um café. Pena que o preço do café no Starbucks fosse tão caro para seus ideais revolucionários. Protestou. Sem adoçar ficava mais barato. Pagou rapidamente. Logo mais começava o sarau.


(Em caso de considerar o texto acima como não inteiramente fictício, saiba que: Qualquer irracionalidade nas ordens cronológica e lógica dos fatos que desencadeiam a história não está - apenas - relacionada à insensatez e desinformação da autora em relação ao estabelecimento citado e, sim, a alguns membros que frequentam o mesmo)

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Quê?

Há em tudo que se toma por certo um quê de falso moralismo.
Há em tudo que se diz errado um quê de hipocrisia.
Há em toda generalização um quê de exagero.
E, em todo exagero, uma ideia vazia
Há a teocracia da razão

Porém se ser racional é não dar por presente a heresia
A razão não passaria, então, de auto enganação;
Todo exagero se extinguiria
E isso não seria generalização

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Redoma

Cansado de ver as desgraças e atrocidades cometidas mundo afora, decidiu tombar sua mente como patrimônio próprio, para que não pudesse mais ser violada nem vendida. 

terça-feira, 5 de novembro de 2013

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Insano

Estamos bêbados de sanidade
Procurando mentiras de verdade
Deixando o essencial à parte
Por julgarmos já ser tarde