Desceu as escadas. Pegou o jornal. Molhou os pés na poça. Urrou. Estava sem sapatos. Havia um caco no meio. Apenas mais uma garrafa quebrada. Correu mancando em busca de um chinelo. O chileno disse que não o venderia por um real. Subiu meio vacilante. O sangue empapava o mármore. Trancou-se para fora de casa. Enrolou algumas páginas do jornal para estancar o sangue. Cambaleou escada abaixo. Havia um hospital a menos de três quarteirões. O jornal, embebido, grudou na ferida, dificultando a suturação. Na volta para casa, escorregou na pegada de sangue deixada na escada. Bateu a cabeça. Sangrou. Deixou pingar. Enquanto esperava o chaveiro sentou-se em um degrau. Abriu o que restava do jornal. Seu horóscopo disse que seria um bom dia. Ganhou mais pontos do que os que acertou na loteria. Mas abaixaram o imposto da bolinha de gude. Foi um dia legal
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