Já me disseram um dia que o ser humano está fadado ao fracasso. Interno, externo, materno, eterno. Creio que com ele não era assim, não nasceu para ver as ruínas e brincar com os escombros. Tinha metal nos olhos e um daqueles sorrisos magnéticos, que imantava todas as tristezas, mesmo que por um breve, porém, lúcido momento. Pulsava de acordo com as batidas de seu próprio coração, não seguindo a risca dos cardiogramas alheios. Nem passava por sua cabeça considerar-se altruísta, afinal, desejava viver seus sonhos, e sempre soube que não há nada mais egoísta do que realizar os próprios desejos.
Você pode passar por ele na rua e nem notar. Nunca saberá, ao cruzar o olhar com aquele menino de passo lento e com as mãos nos bolsos, que ele carrega na alma uma paz constrangedora daqueles que sabem que o que realmente querem é o que menos precisam, e, por isso, ninguém nunca tirou isso dele.
Acima de tudo, ele sabia que mesmo que o tirassem de sua zona de conforto, ninguém o faria mal, pois o que preza de verdade perdurará. Buscou em seu reflexo realidades paralelas e aprendeu que sua fantasia era seu lar. Então sorria, e apreciava tudo à beira-mar.
