Não que eu esteja com medo. Claro que não. É que estou com um puta de um medo que fica até difícil parar pra pensar sobre. Engraçada esse história de temer se atrever a pensar naquilo que não se para de pensar nem um minuto sequer. Meio claustrofóbico, masoquista. Não que eu sofra de algum desses males, claro. Certamente sofro de ambos e de muitos outros também. Fazer o quê? Agora fico aqui ruminando ideias perigosas, banhando-me na penumbra, somente com a luz do neon falhado na fachada do prédio da frente de companhia.
Eu até poderia falar sobre o que se trata, mas de tão simples que é acaba tornando-se complexo. Teria que me munir de palavras exatas, cruas, que insinuam exatamente o que querem dizer, e isso acabaria com muitos generais por aí. Afinal, que família ou pelotão treina seus projetos a ouvir tais atrocidades? A humanidade, em geral, foi criada para ouvir distorções amaciadas de verdades mal contadas. No momento em que eu começasse, não haveria paredes, martelos ou bigornas que impedissem o impacto de minha artilharia em seus ouvidos, em suas cabeças. Não, não sobraria soldado em pé. Fim de jogo.
Acabo me resguardando, a luz da frente queimou de vez. Agora tenho que levantar e procurar uma vela, mas prefiro continuar assim e me deixar como eu prefiro deixar vocês: Na escuridão.
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