Estava a uma longa e saudável distância de mim e de meu mundo. Sei que não foi de súbito, me
afastei aos poucos. Porque quis, talvez. Porque devesse, com certeza.
Alguns diriam que viajei, outros nem notariam minha ausência. Mas
fui, por um bom tempo, tentar reaprender a teoria do caos sem ter de
conspirar contra mim mesma. Agora estou voltando, e sei que a casa está igual.
Procurei uma forma de enredar minha trama sem ter que usar
aquelas linhas desgastadas, estão opacas e sem cor. Quero uma rede
bem bonita, daquelas coloridas e bem grandes, na qual possa descansar
minha mente e meus problemas. Quero uma rede que entrelace tudo o que
sou, afinal, tudo se conecta em algum ponto. Espero que minha rede
tenha força para suportar o peso da minha consciência fatigada, e
que também possa balançar junto com o vento nas tardes de inverno.
Quero embalar nesse balanço, e aproveitarei para embalar tudo o que
já me é desnecessário, algumas coisas que com o tempo perderam o
sentido, e outras as quais guardei para encontrar um sentido que não lhes
eram cabíveis, ao menos para mim; estavam ocupando muito espaço na
gaveta.
Desembaracei todas
aquelas linhas velhas, tinham muitos nós. Longe de mim, vi o quanto
de poeira acumulou aquele gaveteiro, não era de se surpreender que
me tornei alérgica a lembranças. Cansei daquele espaço minúsculo,
não cabia nem minha bagunça. Preciso de espaço para me
desorganizar. A nova rede ficará perfeita na varanda. Eu sei que não
tinha uma, mas mandei demolir a parede que me separava de mim.
Não suportarei mais a
ideia de fechar meus anseios, devo mantê-los a vista, para não
esquecer de sonhar mais alto do que eles. O que empacotei mando para
a reciclagem, não quero nada mastigado ou em migalhas, só entrará
aqui o que puder inteirar-se, nem que seja em seu próprio caos.
Então deitarei em minha rede colorida, suspirarei em alívio e
brincarei com os fios até que a única bagunça seja meu cabelo
embaraçado.
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