domingo, 18 de agosto de 2013

A atemporalidade da arte e sua cronologia

  Se a arte se faz, por si só, ferramenta e obra de algo - concreto ou abstrato - que deve eternizar-se, por que dividi-la em movimentos, épocas ou contextos? A arte é conceito e resultado, é a auto explicação que implica em desaprender o que não se sabe, para poder ser olhada com outros olhos; não necessariamente os do autor, mas sim com novos olhos, com novos pensamentos, às vezes mais arcaicos que os antigos, às vezes além da arte, o que chamo de arte sobre arte (Não, o conceito de arte sobre arte provavelmente não é esse, mas é assim que o denomino).
  O que seria interessante é procurar na arte o que ela não mostra, e nos veremos todos em um grande vazio, pois ela implica na existência do artista, da obra e da existência. Uma obra é idealizada a partir de momentos, tanto conturbados quanto ociosos, porém nunca comprovados como sendo consecutivos. Oras, se o próprio artista, ao idealizar e ao realizar uma obra, seja ela qual for, não utilizou apenas o que sentia ou queria expressar no momento da composição, porque devem classificá-la e encaixotá-la com padrões e semelhanças exteriorizados e abordados por outros artistas, os quais dizem que "compõem" um mesmo movimento por diversos critérios, primeiramente, estereotipados e meramente similares? Quem sabe o que se passou na cabeça de cada um ao exprimir a arte, como saber se a obra representa o que os críticos dizem, o que os artistas filosofam, ou o que os espectadores querem interpretar? Como saber se o que a arte apresenta é o que ela representa?
  A arte, em si, tem vida. Tem significado, e é completa por si só; mas só será assim considerada quando interpretada? E, caso seja mal interpretada, será lixo? Lixo não é arte? Arte não é lixo? Movimentos, técnicas, e pontos de vista, tudo tão relativo e temporário, e a arte deve fazer-se eternamente aquilo que sempre foi?
  Buscam eternizar, em uma obra, sentimentos e pensamentos que não podem ser guardados para sempre, pois, afinal, se algo é real é temporário. Se os conceitos mudam, os processos e resultados também o fazem. O eterno é um ideal, uma utopia, um anseio. As obras devem guardar o que o artista teme perder ou o que precisa esconder? A arte é amorfa, e o ponto de vista relativo destrói e reconstrói a mesma.

Arte sobre arte
sobram artistas e falta arte.
Os olhos transformam a vista,
mas parece que faz parte

  Seria, enfim, a arte o pó que trancafiam em ampulhetas, pragmático e preciso, ou a areia na beira do mar, exposta ao vento, ao tempo e ao mundo?

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