Antes de tudo, uma história que busca transmitir o que as palavras mentem. Busca transmitir a mentira em si, com suas facetas e disfarces, tomando por base a arte cênica, uma desculpa usada para Elisabeth Vogler multifacetar seu medo, até que, por cansaço ou por mais medo, decidiu calar-se e parar de se mover, a fim de que seus pensamentos ficassem guardados somente para si. Mais um papel, com uma dor verdadeira, mas torna-se apenas mais uma vez atriz, encenando sua própria dor longe de si. Vestiu tantas máscaras e tantas almas que perdeu a sua no caminho e, para lidar com seu próprio sofrimento, tem de descobrir primeiramente onde a protagonista se encontra. Toma o silêncio como mecanismo de fuga, mas ao longo da trama, e da vida, descobre-se que não há palavras que mintam ou caretas que enganam, tudo faz parte de uma questão de aparentar ser o que não se pode ser.
A médica sabe disso, o deixa claro desde o início, após colocar a enfermeira Alma para cuidar da atriz. Alma, a qual no início apenas ajudaria Elisabeth, acaba tornando-se objeto de análise, enquanto desorientada e à deriva, ao ver sua vida premeditada e organizada, sabendo que além disso quer algo a mais, mesmo sem largar mão do que terá. Abre diálogo sobre ser mais de uma pessoa, sobre a impossibilidade de manter-se a mesma todo o tempo. Elisabeth sente pena, pergunto-me se pena de Alma ou dela mesma. Uma analisa a outra, e o fato de Alma ser mais do que aparenta e da atriz aparentar ser algo além de si, ambas sabem o quão iguais podem ser, ou são, quando se põe em vista o fato de que o medo não é desilusão e, sim, realidade. Mas o que deveria ser considerado real em se tratando de uma ficção cotidiana, trama e vida juntando-se?
"Cada tom de voz, uma mentira.
Cada gesto, falso.
Cada sorriso, uma careta."
Termino essa análise com um looping deveras clichê, porém não menos importante. Até que ponto o real é irreal e o que é mentira é ficção? Ao vestirmos uma máscara, um personagem ou um contexto, como pode-se afirmar que encenamos o que dizemos ser, sendo que nós mesmos não sabemos o que realmente somos?
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