sábado, 28 de dezembro de 2013

(Maybe) it's who lived here

To truth becomes stable
         Lies are the only support
To life becomes reasonable
         Craziness must be the only effort
But then 
         we're all going 
                                   to die
'Cause truth 
                  and reason
Only 
         agree 
                   with 
                           each other
When nothing else matters in life
Grab a beer 
          or an excuse
To smile 
              in vain
        While the circus 
                           passes by



(Based on the poem It's Not Who Lived Here - Charles Bukowski)

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Trivialidade

Um tempo de vozes caladas. Um tempo de gestos obtusos. Uma fileira de rostos caídos e sorrisos pálidos. A cidade tingida de neon, a falsidade do brilho destacando as ilusões notórias. Risadas metálicas saem vibrantes da sarjeta, narrando o mesmo jogo de todos os dias. O lodo cobrindo os pés e as paredes. A poeira soterrando os poros e os papéis. Somos o nosso pós guerra. A ferrugem que restou desse turbilhão de explosões de efemeridades. Um silêncio amargo com resíduos radioativos nos dá o brilho no olhar. Enquanto a ferrugem corrói nossos corpos e desliza pelas paredes desse cemitério ambulante, olho para o céu turbulento, enegrecendo e trovejando cada vez mais, e pergunto-me se lembrei de alimentar os peixes antes de sair. Mas nada disso importa quando a luz está apagada

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Desarmônica

A cidade é uma poesia barulhenta
E nenhuma metrópole saberá encontrar
As rimas perdidas nas paredes
E as filosofias ecoando no bar

O barulho é nossa sina orquestrada
E não há ópera que saiba harmonizar
O movimento que antecede a voz
E os murmúrios subtraídos do ar

E enquanto ninguém sabe explicar
Sobre o marasmo que exala desse caos que nos sucumbe
Deixemos a cidade respirar
Desse chorume que nos funde

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Venda(-se)

Crianças vestem lendas
Adultos vestem crenças
Idosos vestem desmemórias

E a vida tece as vendas


sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Poemizando Trocadilhos

As nuvens brincam de desalinhar o céu
Como o sorriso desalinha os lábios
E o vento me desalinha ao léu
Já a palavra não desalinha o outro:
Descostura-o
Diz a linha

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Divagações sobre a Belle Époque no Século XXI e o Espetáculo Pariscircense


Sentou ali e ficou. Com os cotovelos apoiados nas pernas olhando fixo para o chão, refletiu, enquanto seguia o rastro do cimento entre os azulejos mal colocados, o quão fodido estava. Não como uma crise existencial, mas como uma crise existencialista, pois, afinal, todos estavam fodidos, ele só faz parte da cadeia devoradora de vidas. Não, não queria o cardápio. Não, não utilizou o estacionamento. Não, não ficaria à vontade. Levantando um pouco os olhos, com a cabeça não completamente levantada, olhou o que o rodeava, e viu que ele não estava em volta de nada daquilo, mas ainda assim toda aquela bizarrice paris-circense o engolia e o enterrava em um montinho de terra puída. Interessante, não haveria como se camuflar naquele espetáculo neofantástico, alegoricamente desperto, mas inerte, devastador e cadavérico em sua órbita. Enquanto permanecia soterrado naquilo, soube que não era tão prudente assim respirar. Acima dele, os saltos femininos perfuravam o som e a inércia, além dos ruídos e das baforadas de cigarros mais bem preparados que a comida do lugar. Talvez tomasse uma vodka. Não porque gostasse, mas somente para quebrar aquele ciclo de café e filosofia que o circundava, chafurdando-o e remetendo-o aos locais que Sartre expunha em suas obras, tão ignominiosos como poderiam ser. Pensou em levantar-se, mas não era tão simples. Não é um ato único: levantar exige alguma ação secundária e até terciária premeditadas. Torna-se, ao pensar melhor, uma cadeia incessante de acontecimentos, como um dominó derrubado ao léu. Então, levantar proporcionaria uma ação além do acontecimento, desequilibrando o hemisfério e talvez se dessem conta de sua ausência, ali tão límpida e escondida. Sim, aceita um cigarro. Fósforo também viria a calhar. Essa centrífuga humana não perdoa, pois não existe perdão quando o crime é cumprir a própria sentença. Gostava mais do fósforo que do tabaco - o qual parecia mais comestível que o croissant da mesa em frente -, pois o cheiro do enxofre queimando era momentaneamente atemporal, como o efeito de qualquer outro vício. Queimava um a um lentamente, logo mais a caixa inteira, fazendo uma pilha com as farpas de madeira queimadas, soterrando os restos nos restos, coexistindo sob a fuligem, respirando com a falta de ar. Então levantou e pediu um café. Pena que o preço do café no Starbucks fosse tão caro para seus ideais revolucionários. Protestou. Sem adoçar ficava mais barato. Pagou rapidamente. Logo mais começava o sarau.


(Em caso de considerar o texto acima como não inteiramente fictício, saiba que: Qualquer irracionalidade nas ordens cronológica e lógica dos fatos que desencadeiam a história não está - apenas - relacionada à insensatez e desinformação da autora em relação ao estabelecimento citado e, sim, a alguns membros que frequentam o mesmo)

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Quê?

Há em tudo que se toma por certo um quê de falso moralismo.
Há em tudo que se diz errado um quê de hipocrisia.
Há em toda generalização um quê de exagero.
E, em todo exagero, uma ideia vazia
Há a teocracia da razão

Porém se ser racional é não dar por presente a heresia
A razão não passaria, então, de auto enganação;
Todo exagero se extinguiria
E isso não seria generalização

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Redoma

Cansado de ver as desgraças e atrocidades cometidas mundo afora, decidiu tombar sua mente como patrimônio próprio, para que não pudesse mais ser violada nem vendida. 

terça-feira, 5 de novembro de 2013

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Insano

Estamos bêbados de sanidade
Procurando mentiras de verdade
Deixando o essencial à parte
Por julgarmos já ser tarde

domingo, 27 de outubro de 2013

Papo Cachaça

De súbito feneceu
aquela triste história mal contada
prendeu, no chão, o céu
e perdeu-se de vista na estrada

Caminhou até não sentir os pés
e viu que, no fim, recomeçava a praça
não queria partir do zero 
pediu outra cachaça

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Manifesto Gutural

Oprimem o grito pois temem dar voz às pessoas. Reprimem o grito pois sabem que vem da alma, e a alma é vulgarmente verdadeira. Não dá tempo, ela deixa tudo à flor da pele e, para germinar pensamentos mais profundos e alterados, a mente deve digerir o que a alma sente.
O grito é mais sincero que um abraço ou um poema. O grito liberta, reage, e de vez em quando canta. O grito vai além da voz mesmo sem a fala. Vai além do ar e transcende a alma. Legalize o grito, legalize já!

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

O que resta do um?

Se chorava ou se ria 
Ninguém sabia
Mas aparentava ser menos
Do que seria:
Sobrava menos 
Do que ia

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Memórias pré póstumas de um pessimista

O que esperar de uma sociedade que ensina a sempre esperar o pior e se conformar com a falta de expectativa? 
O que esperar de uma sociedade que prega que ser é sinônimo de ter, que ganância equivale a vitória, e que morrer é a única forma de obter paz? 
O que esperar de uma sociedade que falsifica valores, compra a felicidade e escraviza ideais? 
O que esperar de uma sociedade que te ensina a apertar o gatilho mas depois não se responsabiliza pelo sangue derramado? 
O que esperar de uma sociedade cega dizendo que tudo é questão de ponto de vista?
O que esperar de uma sociedade que não espera nada de si, vítima de seus próprios crimes?

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Destransformação


O ser humano não teme a mudança, teme a si mesmo. Não tem medo do novo, e sim medo de tornar-se tão diferente a ponto de não se reconhecer. Receia transformar-se naquilo que ele já teme ser.

domingo, 8 de setembro de 2013

Contraste

Somos a refração do que fomos
Somos o contraste da injeção
Somos o pó da borracha
Aquilo que ninguém procura e acha
Somos o zumbido do ouvido
Somos a tarracha sem brinco
Somos a interferência da caixa de som          
Somos o talento sem o dom
Somos o resquício de luz
Daquela sombra que reproduz          
O que aparenta estar além
Daquilo que não vai nem vem
De tudo aquilo que seria
Mas não foi
Nem iria

sábado, 7 de setembro de 2013

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Pontilhado



Desfigurando-se em uma forma concreta, abstraiu o abstrato que o definia. Procurou traços para delimitá-lo, porém a margem é estreita. Teve que se desfazer da falta de moldes, da falta de traços, para poder dizer-se completo. Enquadrar-se é aprisionamento, o cabível está fora de cogitação. Guardou seus excessos em sua nova panela de pressão e explodiu, não cabia tanta vida nela, e nem tanta pressão nele. Finalmente o riso subiu nas margens e transbordou. Beirou o mar e a loucura. Encontrou-se, com seu riso vazado e seu olhar perdido, fluindo contra a correnteza. E por decreto declarou-se incompleto, tendo como certo somente a incerteza de ser.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Inércia

Viu
não sorriu
virou
não partiu
olhou
e sumiu
não deixou
nem seguiu

pensou
e sentiu
vacilou
mas saiu
não voltou
nem parou
nem mentiu
foi

é
e será
mas não sabe
que não é 
mais o que 
diz ser
pairou
caiu
cavou
a cova profunda
e enterrou
nos versos
os verbos
parou 
.
.
.
e viu

domingo, 25 de agosto de 2013

Hipocritamente correto: Os subterrâneos da razão

Impõem seus medos como dogmas
inserem seus traumas como crença;
Usurpam seus direitos como prova 
e, mesmo sem crime, você cumpre a sentença

Diretamente indireto
procuram fazer com que não se pareça;
- O que é por decreto não o deixará de ser 
caso alguém desapareça

Os corpos nus no chão, arranhados pelo frio e pela escória. 
Tapam bocas, olhos, mente e dignidade. 
Abafam os barulhos e contém as lágrimas;
Já não há mais água: 
Aquilo que escorre por baixo do pano é humanidade

(Pensamento escrito após a leitura do livro Holocausto Brasileiro - Daniela Arbex)

domingo, 18 de agosto de 2013

A atemporalidade da arte e sua cronologia

  Se a arte se faz, por si só, ferramenta e obra de algo - concreto ou abstrato - que deve eternizar-se, por que dividi-la em movimentos, épocas ou contextos? A arte é conceito e resultado, é a auto explicação que implica em desaprender o que não se sabe, para poder ser olhada com outros olhos; não necessariamente os do autor, mas sim com novos olhos, com novos pensamentos, às vezes mais arcaicos que os antigos, às vezes além da arte, o que chamo de arte sobre arte (Não, o conceito de arte sobre arte provavelmente não é esse, mas é assim que o denomino).
  O que seria interessante é procurar na arte o que ela não mostra, e nos veremos todos em um grande vazio, pois ela implica na existência do artista, da obra e da existência. Uma obra é idealizada a partir de momentos, tanto conturbados quanto ociosos, porém nunca comprovados como sendo consecutivos. Oras, se o próprio artista, ao idealizar e ao realizar uma obra, seja ela qual for, não utilizou apenas o que sentia ou queria expressar no momento da composição, porque devem classificá-la e encaixotá-la com padrões e semelhanças exteriorizados e abordados por outros artistas, os quais dizem que "compõem" um mesmo movimento por diversos critérios, primeiramente, estereotipados e meramente similares? Quem sabe o que se passou na cabeça de cada um ao exprimir a arte, como saber se a obra representa o que os críticos dizem, o que os artistas filosofam, ou o que os espectadores querem interpretar? Como saber se o que a arte apresenta é o que ela representa?
  A arte, em si, tem vida. Tem significado, e é completa por si só; mas só será assim considerada quando interpretada? E, caso seja mal interpretada, será lixo? Lixo não é arte? Arte não é lixo? Movimentos, técnicas, e pontos de vista, tudo tão relativo e temporário, e a arte deve fazer-se eternamente aquilo que sempre foi?
  Buscam eternizar, em uma obra, sentimentos e pensamentos que não podem ser guardados para sempre, pois, afinal, se algo é real é temporário. Se os conceitos mudam, os processos e resultados também o fazem. O eterno é um ideal, uma utopia, um anseio. As obras devem guardar o que o artista teme perder ou o que precisa esconder? A arte é amorfa, e o ponto de vista relativo destrói e reconstrói a mesma.

Arte sobre arte
sobram artistas e falta arte.
Os olhos transformam a vista,
mas parece que faz parte

  Seria, enfim, a arte o pó que trancafiam em ampulhetas, pragmático e preciso, ou a areia na beira do mar, exposta ao vento, ao tempo e ao mundo?

sábado, 17 de agosto de 2013

A Solidão de Gabriel

(100 Years of  Solitude - Maria Shishova)


No entanto, ele sempre soube - e sempre saberá - que nada afasta mais a realidade de uma idealização do que as palavras.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Entre o ser e o parecer

   Antes de tudo, uma história que busca transmitir o que as palavras mentem. Busca transmitir a mentira em si, com suas facetas e disfarces, tomando por base a arte cênica, uma desculpa usada para Elisabeth Vogler multifacetar seu medo, até que, por cansaço ou por mais medo, decidiu calar-se e parar de se mover, a fim de que seus pensamentos ficassem guardados somente para si. Mais um papel, com uma dor verdadeira, mas torna-se apenas mais uma vez atriz, encenando sua própria dor longe de si. Vestiu tantas máscaras e tantas almas que perdeu a sua no caminho e, para lidar com seu próprio sofrimento, tem de descobrir primeiramente onde a protagonista se encontra. Toma o silêncio como mecanismo de fuga, mas ao longo da trama, e da vida, descobre-se que não há palavras que mintam ou caretas que enganam, tudo faz parte de uma questão de aparentar ser o que não se pode ser. 
   A médica sabe disso, o deixa claro desde o início, após colocar a enfermeira Alma para cuidar da atriz. Alma, a qual no início apenas ajudaria Elisabeth, acaba tornando-se objeto de análise, enquanto desorientada e à deriva, ao ver sua vida premeditada e organizada, sabendo que além disso quer algo a mais, mesmo sem largar mão do que terá. Abre diálogo sobre ser mais de uma pessoa, sobre a impossibilidade de manter-se a mesma todo o tempo. Elisabeth sente pena, pergunto-me se pena de Alma ou dela mesma. Uma analisa a outra, e o fato de Alma ser mais do que aparenta e da atriz aparentar ser algo além de si, ambas sabem o quão iguais podem ser, ou são, quando se põe em vista o fato de que o medo não é desilusão e, sim, realidade. Mas o que deveria ser considerado real em se tratando de uma ficção cotidiana, trama e vida juntando-se?

"Cada tom de voz, uma mentira. 
Cada gesto, falso. 
Cada sorriso, uma careta."

   Termino essa análise com um looping deveras clichê, porém não menos importante. Até que ponto o real é irreal e o que é mentira é ficção? Ao vestirmos uma máscara, um personagem ou um contexto, como pode-se afirmar que encenamos o que dizemos ser, sendo que nós mesmos não sabemos o que realmente somos?

domingo, 21 de julho de 2013

Miopia

Sempre imagino olhos alados. É uma visão que tenho sempre que vejo alguém com o olhar perdido em um ponto qualquer. Geralmente olham fixo para baixo ou para cima, sempre para sua esquerda.
Nesses momentos sei que o corpo e a mente se desligaram, e os olhos estão vendo lembranças ou criando memórias pré póstumas, ou seja, aquelas que poderão acontecer mas provavelmente não irão. Estas são memórias que morrem ao nascer, mas as enterramos com louvor em nossa mente, tornando-as tão verdadeira quanto seria a realidade enfadonha.
Mas sei que essas pessoas estão paradas ali por que não podem ir para onde queriam estar, e o corpo torna-se fardo, por isso os olhos levam a mente e deixam a carne repousar por lá.
Creio que cada um vai para seu próprio mundo. Sim, cada um tem um mundo próprio, no qual seus desejos e problemas não são egoístas, e seus medos não são limites. Um mundo no qual elas vivem e gostam de estar por lá, mesmo que em liberdade clandestina.
Às vezes basta um ressoar de voz, um estrondo ou um movimento brusco para elas voltarem de viagem. Pergunto-me como os olhos sabem a hora de voltar. Tenho a impressão de que muitas vezes não voltam, por isso existem pessoas que não enxergam o que outras consideram óbvio, elas estão preocupadas em enxergar o mundo além de si, além do real, além da tal verdade. Como diria Manoel de Barros, "é preciso transver o mundo". Por isso não confio em quem enxerga bem: os olhos da cara não devem corresponder aos da alma. A imaginação transcende a vista. Mais miopia, por favor.


terça-feira, 16 de julho de 2013

Limpeza de Quarto

Estava a uma longa e saudável distância de mim e de meu mundo. Sei que não foi de súbito, me afastei aos poucos. Porque quis, talvez. Porque devesse, com certeza. Alguns diriam que viajei, outros nem notariam minha ausência. Mas fui, por um bom tempo, tentar reaprender a teoria do caos sem ter de conspirar contra mim mesma. Agora estou voltando, e sei que a casa está igual. 
Procurei uma forma de enredar minha trama sem ter que usar aquelas linhas desgastadas, estão opacas e sem cor. Quero uma rede bem bonita, daquelas coloridas e bem grandes, na qual possa descansar minha mente e meus problemas. Quero uma rede que entrelace tudo o que sou, afinal, tudo se conecta em algum ponto. Espero que minha rede tenha força para suportar o peso da minha consciência fatigada, e que também possa balançar junto com o vento nas tardes de inverno. Quero embalar nesse balanço, e aproveitarei para embalar tudo o que já me é desnecessário, algumas coisas que com o tempo perderam o sentido, e outras as quais guardei para encontrar um sentido que não lhes eram cabíveis, ao menos para mim; estavam ocupando muito espaço na gaveta.

Desembaracei todas aquelas linhas velhas, tinham muitos nós. Longe de mim, vi o quanto de poeira acumulou aquele gaveteiro, não era de se surpreender que me tornei alérgica a lembranças. Cansei daquele espaço minúsculo, não cabia nem minha bagunça. Preciso de espaço para me desorganizar. A nova rede ficará perfeita na varanda. Eu sei que não tinha uma, mas mandei demolir a parede que me separava de mim.
Não suportarei mais a ideia de fechar meus anseios, devo mantê-los a vista, para não esquecer de sonhar mais alto do que eles. O que empacotei mando para a reciclagem, não quero nada mastigado ou em migalhas, só entrará aqui o que puder inteirar-se, nem que seja em seu próprio caos. Então deitarei em minha rede colorida, suspirarei em alívio e brincarei com os fios até que a única bagunça seja meu cabelo embaraçado.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Liberdade Clandestina


Levantou de súbito, pegou seu sobretudo marrom e saiu porta afora. Tinha dificuldades para inspirar, o ar cortava-lhe as narinas como se fosse ácido, como se fosse sólido, como se fosse cítrico. Não tinha ideia do que estava fazendo ou para onde estava indo. Somente era guiada pelos próprios passos, dados a torto e a direito em um caminho já refeito tantas vezes antes. Associava cores e barulhos com memórias, e isso embaçava-lhe o presente. Porque tudo tem que ser tão vulgarmente real? Era difícil aceitar que o passado convertia sentimentos em acontecimentos, e assimilava fragmentos de um instante a uma história de vinte páginas (frente e verso). 
Quando deu por si, estava parada na mesma esquina na qual sempre estagnava todas as vezes ao repetir seu ritual. Inconscientemente a par de suas nem tão lúcidas nostalgias, percebeu que tinha, na mão, a xícara que continha seu café forte com três gotas de adoçante, provavelmente perdido em alguma das vielas no caminho e, no peito, a dor de quem sente o amargo alívio de uma liberdade clandestina; liberdade libertina, a qual só os presos a ela sabem desfrutar. Qualquer tentativa de escape volta-se ao início do jogo, qualquer solução é mera ilusão, porém não tão grande quanto a ilusão de saber jogar. A saída está na entrada, volte ou ande de três a cinco casas. Ela sabia, sempre soube e saberá que essa liberdade é uma cadeia opcional, mas prefere prender-se a um jogo ilusório do que a uma realidade cínica. O incerto sempre a fascinara. Dobra a esquina e dá mais cinco passos, depara-se com uma varanda de madeira maciça e podre, com uma demão de tinta descascada e coberta de velas cujas chamas tremeluziam. O mesmo vento que vai apagando as velas, lenta e pacientemente, traz um resquício de aroma de amêndoas, vindo da direção contrária. Ao virar, depara-se com um fim de tarde que para alguns pode ser banal, pois apenas indica a chegada da noite, mas para ela indica a despedida dos incertos vestígios de luz em direção ao cheiro desconhecido, nunca gravado. 
Volta para a esquina e segue reto contra o vento. Como era bom saber que o sonho é mais clandestino que a liberdade, e que a lembrança é atemporal. É hora de encher a xícara, foi bom ter levado um livro de bolso. Olhou de relance para trás, uma última vez, e soltou uma risada mais leve do que a folhagem outonal. O mesmo vento que brinca com seus cabelos e com seu olfato persiste em apagar o que já está fadado a desaparecer. Não lhe importava o resultado.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Labirinto

   Temos a teimosia de somente favoritar o que parece inacessível, supostamente intocável. Por isso essa mania de engrandecermos os sonhos, os livros, os mortos e as memórias. 
   Batemos em portas enferrujadas, crentes de que esquecemos algo lá. Procuramos no âmago da vida um sentido para que elas façam parte das nossas vidas também.
   O que não entendemos é que as portas estão lá para que possamos apreciar o que há do lado de fora ou o de dentro. Se fosse para estarem abertas não haveria paredes, divisórias. Nossas vidas seriam um espaço aberto, infinito, perdido e afogado em sua crua imensidão. 
 
   Na verdade tudo é labirinto, entrelaçando segredos entre a luz do túnel e seus tormentos.

   Portas não fecham caminhos, abrem saídas de escape. 

   Entenda, a vida é muito grande para ser vivida de uma vez. Somos mais que nossas portas, nossos escapes, nossos labirintos, nossos tormentos; mas somos nossos. 

   Engrandecemos o que não vivemos por saber que são essas as saídas de emergência de uma vida sem freios, nem escadas de incêndio. Vulgar, cruel e real demais.

    Acabamos sendo parciais. Partes de nós tornam-se inacessíveis. 

   Somos imensos demais para sermos um todo. Somos humanos demais para sermos os mesmos.


sexta-feira, 3 de maio de 2013


  Pergunto-me com relativa frequência como essas pessoas que mantém sempre o pé no chão conseguem dar algum passo além e saírem do lugar em que estão, da vida que levam.
  Elas dizem ter a melhor visão de mundo, mas ainda assim prefiro a espiada via satélite. Pessoas realistas estão fadadas a estagnação. Não entendem, não estendem, só se prendem. A saída está em algum lugar, um outro lugar. 
  Sim, é triste saber que alguns que subiram em seus balões e se perderam céu afora não souberam navegar, mas para mim o mais deprimente continua sendo ver gente se afundar na areia movediça de sua descrença, de seu pesar. 

domingo, 28 de abril de 2013

Memórias pré-póstumas de um pessimista em análise



Pode-se idealizar sonhos, mas não há como idealizar uma vida. O desejo é passageiro e a vida é condutora. A idealização é relativa e a vida é padrão. Sonhos são paixão e, a realidade, ilusão. Amor, meu bem, é o que sobrou do que não sonhou.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Anti-Sonho

   O desencanto está nos olhos dos iludidos. O sonho agora pertence ao mundo, não ao sonhador. Sem escapatória, não há segredos além do mistério. A desesperança é o sonho dos céticos. Não entendem que toda utopia é sonho, mas que nem todo sonho é ilusório. Dada a fantasia, a incerteza será lançada, mas irão sempre preferir a convicção da ilusão de não sonhar. Morrem todos os dias, ancorados em seus delírios, atolados em teorias. A gravidade é fictícia, o embalsamento não. Sonhe com mistérios perdidos, utopias negadas, ou até medos inconvictos. Afinal, o anti-sonho é negação, e viver, a maior das ilusões.

terça-feira, 2 de abril de 2013


   Acompanhava o tic tac do relógio. O ponteiro ia trôpego, lentamente, consumindo o que havia de mais precioso para mim. Olhei ao redor e observava, mas não me passava pela cabeça reparar. A ansiedade é uma daquelas sensações que inibem e ao mesmo tempo apuram todos nossos sentidos. Enlouquecedor. Decidi sair e dar uma volta. Um pulinho ali na esquina ou em Salvador, não sei. O necessário para me fazer divagar, bem devagar. 

   Os prédios com amuradas corroídas pelo vento, o asfalto desgastado com a chuva, as ruas esburacadas e as pessoas desligadas, tudo aquilo me nauseava. Como podem ficar ali, sem ver o que está acontecendo? A paisagem continuava insólita em sua decadência, tudo com um quê de desprezo em relação ao resto. Como se aquele lugar não fizesse parte da realidade. Vi, de relance, um cachorro meio manco de uma pata traseira correndo atrás de uma mariposa. Decidi assistir. Ela, tão ágil, porém não muito veloz, voou baixo demais, e acabou perdendo a corrida. De repente, sumiram. Ou fui eu que saí andando? Não me lembro.

   Continuei a caminhada, e sentei em um daqueles bancos de praça de filme, com direito a pombos esperando pelas migalhas que eu não trazia. Sentei e esperei. Expirei. Exasperei. Naquele lugar em que o nada já era tudo, conectado em si e desconexo do resto, finalmente compreendi que não havia nada além de mariposas sendo engolidas lentamente pelo caminho, em um cenário hostil e alheio ao efeito de sua própria sina. De leve mergulhei em voo baixo e o cão foi se aproximando, em seu tropeçar constante. Tic tac, tic tac, tic tac...

sábado, 30 de março de 2013

Paralelismo


   Já me disseram um dia que o ser humano está fadado ao fracasso. Interno, externo, materno, eterno. Creio que com ele não era assim, não nasceu para ver as ruínas e brincar com os escombros. Tinha metal nos olhos e um daqueles sorrisos magnéticos, que imantava todas as tristezas, mesmo que por um breve, porém, lúcido momento. Pulsava de acordo com as batidas de seu próprio coração, não seguindo a risca dos cardiogramas alheios. Nem passava por sua cabeça considerar-se altruísta, afinal, desejava viver seus  sonhos, e sempre soube que não há nada mais egoísta do que realizar os próprios desejos. 
   Você pode passar por ele na rua e nem notar. Nunca saberá, ao cruzar o olhar com aquele menino de passo lento e com as mãos nos bolsos, que ele carrega na alma uma paz constrangedora daqueles que sabem que o que realmente querem é o que menos precisam, e, por isso, ninguém nunca tirou isso dele. 
   Acima de tudo, ele sabia que mesmo que o tirassem de sua zona de conforto, ninguém o faria mal, pois o que preza de verdade perdurará. Buscou em seu reflexo realidades paralelas e aprendeu que sua fantasia era seu lar. Então sorria, e apreciava tudo à beira-mar.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Dado Viciado

   Quero parar. Sair daqui. Quero problemas novos. Soluções novas. E apreender, chega de aprender. Já entendi, pode parar com esse jogo. Já domino as regras. Não quer dizer que eu as siga, mas já sei exatamente no que vai dar. No que já deu.
   Quero um novo mistério, ou uma nova lucidez. Mais dados, por favor. Os meus estão viciados. E, como cada jogo tem sua regra, espero que minhas punições também mudem. Nada como esperar o inesperado. Espera sem fim, por que então espero desesperado? 


terça-feira, 26 de março de 2013

    Procuram o limite da mediocridade, o torpor da confusão. Eles querem te enganar, te manipular, te controlar, te alienar. Você está pensando? Você está especulando? Você está no comando ou comandado? No controle ou controlado? Talvez rachado, largado, mal-amado. Talvez parado. Ou sufocado. Despedaçado, desesperado, um ser humano mal disfarçado. Se ganhar, é culpado. Se perder, é julgado. Só se esquecem que quem entra nesse jogo não perde, já é perdedor.

domingo, 24 de março de 2013

Escuridão


  Não que eu esteja com medo. Claro que não. É que estou com um puta de um medo que fica até difícil parar pra pensar sobre. Engraçada esse história de temer se atrever a pensar naquilo que não se para de pensar nem um minuto sequer. Meio claustrofóbico, masoquista. Não que eu sofra de algum desses males, claro. Certamente sofro de ambos e de muitos outros também. Fazer o quê? Agora fico aqui ruminando ideias perigosas, banhando-me na penumbra, somente com a luz do neon falhado na fachada do prédio da frente de companhia. 
  Eu até poderia falar sobre o que se trata, mas de tão simples que é acaba tornando-se complexo. Teria que me munir de palavras exatas, cruas, que insinuam exatamente o que querem dizer, e isso acabaria com muitos generais por aí. Afinal, que família ou pelotão treina seus projetos a ouvir tais atrocidades? A humanidade, em geral, foi criada para ouvir distorções amaciadas de verdades mal contadas. No momento em que eu começasse, não haveria paredes, martelos ou bigornas que impedissem o impacto de minha artilharia em seus ouvidos, em suas cabeças. Não, não sobraria soldado em pé. Fim de jogo. 
  Acabo me resguardando, a luz da frente queimou de vez. Agora tenho que levantar e procurar uma vela, mas prefiro continuar assim e me deixar como eu prefiro deixar vocês: Na escuridão. 

quarta-feira, 20 de março de 2013

Aversão






Sou o que chamam de contradição
sou o louco e o são
sou o caminho, sou as pedras
sou a benção e os males
sou o dia e a noite
sou a caça e o caçador
sou a cura e a dor
sou o hoje, o amanhã
sou o sonho em aversão
aversão sem solução.



domingo, 3 de março de 2013

Caminho

E te dizem "siga em frente". Me desculpem os caretas, mas seguir em frente é convencional demais para mim. Afinal, há tantos caminhos pra se seguir, encruzilhadas, ciclovias, trilhas, o oceano à minha direita, o céu acima de tudo até o infinito estelar. Não posso simplesmente dizer que vou seguir em frente se o meu caminho pode ser cambalear até o mar, ou cavar um buraco e chegar no Japão. Qualquer um pode seguir em frente, mas poucos sabem seguir seu caminho.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Embalagem

  Descalço, no portão, espreitando céu afora. Será que vai chover? Tomara que não. Chegar ensopado no primeiro dia no trabalho novo não deve pegar bem… Vai que eles pensam que é suor? Brinquei comigo mesmo. Só eu pra aturar minhas piadas infames. Nervosismo aumenta. Volto pra dentro. Tomo um banho demorado o suficiente pra me lavar direito mas rápido o suficiente pra não começar a divagar. Próximo passo: Preparar um café. Ou tomo no caminho? Mas se não for forte o bastante é bem capaz de eu pegar no sono no meio da reunião caso meu chefe seja entendiante… Melhor eu mesmo fazer. De olho no relógio, falta ainda 1h23min pra nova vida, momento de desfrutar meus últimos minutos como desempregado. Pra isso faço o que fiz de melhor durante os ultimos 7 meses: Nada. Esperei assim a cafeteira apitar. Ok, talvez o chefe não seja chato, mas será que esse pessoal de escritório é demente que nem aqueles que passam nos seriados de comédia? Pra fazerem tanta piada tem que ter algum motivo. Café forte e levemente adocicado, nada enjoativo demais, já basta a voz da minha secretária eletrônica e da apresentadora do telejornal para me deixar nauseado. Passo margarina numa fatia de pão, engulo o café por cima e corro para dar os retoques finais e alcançar o ônibus em 15 minutos. Talvez eu esteja exagerando, pode ser que seja a melhor coisa que me aconteceu nos últimos anos. Merda, o ônibus não parou. Lá vou eu correr atrás. Ufa, alcancei. Agora encosto a cabeça no vidro e sinto a vibração do motor. O motor que dá vida a máquina. Procuro pensar no meu motor. Sem combustível. O que é que estou fazendo nessa cidade? Parou no ponto em que eu tinha que descer. Não desci. Me deixei levar até o terminal. Entrei em outro ônibus e fiz o mesmo. Depois em outro, outro, outro… Até que não tivesse noção de onde estava, até que tudo estivesse certo. Até que eu me consertasse. Piada. Mas ali estava, sem ninguém, sem nada de mais além de uma mochila, as chaves de uma casa, e um celular descarregado. Não me importava mais. Nunca dei a mínima mesmo. Não voltarei, não voltarei, não voltarei. Peguei a porra do ônibus de volta e quando me dei por si estava na porta de casa novamente. E então me dei conta de que se pode tentar romper os moldes, quebrar a casca, mas o conteúdo já foi danificado.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Retrato mal-falado

Você se aprisiona na sua casa, no seu quarto, no seu corpo, nas suas palavras. Cega a si mesmo para não se dar conta de que é livre. Você não sabe lidar com sua liberdade, tão certeira, tão exposta, que acaba se prendendo, fingindo que não sabe voar. Você é hipócrita, deseja o que já tem, e por tanto desejar, não se deu conta de que a utopia já virou rotina, e de que o que realmente anseia é a escolha de desejar.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013




Não há estado de alma mais estável do que a confusão.
Não saber o que fazer é o que nos torna humanos. 
O desnorteamento é nossa bússola e o indefinido nosso rumo. 
Afinal, quem não se perde não se acha.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Início, meio, fim, meio, início

  Quem nunca sofreu de amor à primeira página não sabe qual é o karma de um leitor de verdade. De um amante das mentiras realistas e das verdades enfeitadas. Pode conferir, as três primeiras frases de um livro são sua alma, sua essência. O que o autor tinha que dizer ele já expôs no primeiro parágrafo. O resto não passa de uma sucessão de capítulos inexatos para explicar o que nem mesmo o escritor queria saber de fato. Acredite, não há enredo, nem clímax, muito menos um final feliz que substitua uma introdução bem redigida. É o momento no qual a tinta ainda se encontra fresca, a mente ainda está em chamas, as palavras ainda estão nuas. Não se faz segredo nem rodeio. A alma do escritor ficou ali, e até o final da trama ele vai resgatando-a aos poucos, para que possa morrer novamente num futuro prólogo. Esse processo de mortes simultâneas é que fazem um verdadeiro escritor, e creio que ao lermos e vibrarmos com suas últimas palavras, nos tornamos verdadeiros leitores. Pois é, nada como um belo suicídio literário.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Tentativa

  Eu estou indignada com a eleição de Renan, acho um absurdo, uma falta de respeito com a sociedade. Já sei como solucionar: Vou assinar uma petição online. Da qual me esquecerei no momento em que a mídia largar a carniça, ou não, talvez uns dois minutos depois disso, não sou tão fútil assim, né! Ao mesmo tempo irei continuar minha vida como se nada tivesse acontecido, não mudarei meus hábitos, minha ética e muito menos minha ideologia. Não estou interessada em fazer disso algo que afete minha vida, afinal, eu não ganharia nada com isso. Portanto, no momento em que mais alguma atração vier e o espetáculo der continuação, eu irei dizer que fiz a minha parte e sairei de consciência limpa porque eu mesma a limpei, e o mundo passará vista grossa nisso e em todo o resto, para que as pessoas não estourem seus miolos com uma .28 antes de comprarem o novo iphone.
  Sinceramente, ao longo da história, quais foram as petições que não foram ridicularizadas? Nenhuma, pois são ridículas em sua essência. Antes de me apedrejar, veja bem: Não dá pra solucionar um problema de tamanha dimensão com uma droga de uma petição que se for conferir na prática nem 1/3 das pessoas sabem do que se trata. E se não sabe o que assinaram, de que vale sua palavra? Elas assinariam qualquer coisa, até um pedaço de papel higiênico. "Ah", já me disseram uma vez, "Se elas soubessem que não é por uma boa causa não assinariam, não dá pra se ter conhecimento de tudo, elas só querem ajudar.". Concordo com isso, não dá pra se ter conhecimento de tudo mesmo, mas quero ver perguntar quem foi indicado pro paredão ou quem matou quem na novela pra ver se não respondem com um discurso de meia hora analisando parte por parte a vida alheia. Adaptando uma frase que ouço muito: Se você não se enoja com a sociedade você faz parte do esgoto.
  Entenda, no momento em que você tenta tapar o buraco com esterco não há saneamento básico que cubra o plano de saúde. A mesma coisa nesse caso... você tenta arrumar um problema com soluções mequetrefes que terão mínimo retorno, isso caso tenha, e vem me dizer que já fez sua parte. Sua parte o caramba. Se você quer um país com uma boa base de ensino vai assinar um papel pedindo uma boa educação?? Mesmo? E os que querem o mesmo que você mas como não são alfabetizados não podem assinar? E se você acha o câncer uma doença terrível e dilaceradora, você vai assinar uma petição pedindo pra acharem a cura? Você chega a pensar que colocar teu pensamento em forma de assinatura é fazer a diferença? Não é possível! E não me venha com essa de que não custa tentar, porque se não custasse tentar tenho certeza de que você tentaria algo a mais, afinal, não custa nada, né?
  Acabei desviando do ponto aonde eu queria chegar: Não adianta acabar com um problema que está fincado na terra com raízes descomunais cortando o galho que ta batendo na sua testa. Nem cortando, na verdade. Empurrando para o lado. Se você quer mudar alguma coisa mesmo, tem que tentar o que outros não tentaram. Agir como os outros não agiram. Cave mais fundo, as pessoas são rasas mas os problemas não. Não adianta ficar escrevendo um monte de palavras num blog também, mas não custa tentar, né?

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Aquecimento global

  A gente acaba se deparando com tanta tragédia ultimamente que notícia boa parece até futilidade. As pessoas acabam ficando com medo de demonstrar um relapso de alegria no gris de nossa sociedade, e por isso acabam esquecendo de distribuir afeto caloroso pra quem precisa. Eu, como uma fã inveterada de Led Zeppelin, não poderia deixar de citar um trecho de uma música deles que creio ser a mais "pura verdade" (Outro dia explico o porque das aspas):


"Estou te dizendo, a melhor coisa que se pode fazer agora é oferecer um sorriso pra quem está na pior. É muito fácil, tente."

  Parece ridículo e banal, mas não custa tentar. Se não pode oferecer um sorriso, ofereça algo que a faça sorrir, como uma piada ou um mico cometido de propósito pra pessoa rir da nossa cara mesmo. Mas enfim, o mínimo que podemos fazer numa sociedade de gelo é derreter as pequenas pedras de dor. E que venham os icebergs.

Impulso

  Ando com uma urgência de querer fazer loucuras irreversíveis, sabe? Explorar novos caminhos, tudo aquilo que desconhecemos, sem garantia de retorno e nem de mesmices. Ah, quero alcançar nada menos que o impossível. Mas antes tenho que pegar o extrato da conta corrente e calcular um orçamento de tal porte.

3,2,1... Ação!



  Visando um início marcante, tentamos inovar a maneira de nos apresentarmos. Bom, eu não farei isso. Acabamos por nos tornarmos mais um na multidão tentando nos destacar dos outros e não percebemos que isso nos assemelha mais a eles do que sermos tradicionais de vez em quando. É engraçado, não? Pois bem, eu acho. Você acaba perdendo o fio da meada e nem lembra mais o que queria falar somente para impressionar mais a si mesmo do que aos outros, numa tentativa desesperada de chamar a atenção e termina se passando por idiota. Ha-ha. Mas chega de dramas e tramas. Deixe-me ir direto ao ponto: Você vem sempre por aqui?

  Eu irei vir, de vez em quando pelo menos, e vou deixar um pedacinho de mim por aqui. Pensando melhor, não. Não sou uma dessas pessoas loucas que saem por aí se cortando e deixando pedaço à venda na internet, não. Vou tentar mostrar um pouco de mim, e olhe lá. Pensamentos, poesia, opiniões leigas de diversos assuntos, mentiras, dramas, sarcasmos e ironias a mil, vai parecer até canal de televisão aberta, só falta o barraco, gente com dinheiro e o conteúdo ruim. Não prometo nada quanto ao último item, ler isso aqui vai da escolha de vocês. Enfim, fiquem a vontade para darem sua opinião sobre minhas parafernalhas, e, não sei se posso dizer isso, divirtam-se.